Em A Viagem, Alexandre (Guilherme Fontes) passa a agir como espírito obsessor após sua morte, movido por uma vingança cega contra aqueles que considera responsáveis por sua ruína.
Condenado a vagar pelo Vale dos Suicidas — dimensão de sofrimento e desespero, inspirada na doutrina espírita —, Alexandre experimenta dores intensas, reflexo direto das atitudes que tomou em vida e da forma trágica com que partiu. Ainda assim, o vilão rejeita qualquer possibilidade de arrependimento.
É a partir desse estado de revolta que ele inicia sua atuação no mundo dos vivos. Tendo como primeiro alvo Raul (Miguel Falabella), Alexandre passa a influenciar Guiomar (Laura Cardoso), explorando mágoas e ressentimentos adormecidos. O que antes era uma relação harmoniosa entre sogra e genro, aos poucos se transforma num convívio tenso, permeado por desentendimentos.
A mudança de comportamento de Guiomar intriga os que a cercam, especialmente sua filha Andressa (Thais de Campos), que não compreende a súbita hostilidade da mãe com seu marido. Sob influência espiritual de Alexandre, a idosa torna-se mais impaciente, rígida e inquieta, como se estivesse sob constante pressão invisível.
Em um dos momentos mais inquietantes dessa fase da novela, a atmosfera pesada chega à fazenda da família. Na cena, até os animais reagem à presença do espírito: o gado se agita sem motivo aparente, e Julião (Gésio Amadeu), funcionário da propriedade, percebe algo fora do normal.

Durante uma caminhada pela fazenda, Guiomar para diante de uma árvore centenária, fixando o olhar com intensidade incomum. “Meu marido dizia que a força desta casa vem dessa árvore. Agora eu sinto que a minha força também vem desta árvore”, afirma, em um tom quase hipnótico. Julião observa, intrigado, mas não vê nada além da paisagem habitual.
Quando Guiomar se afasta, o mistério se revela: Alexandre, agora uma presença fantasmagórica, surge sentado em um dos galhos da árvore, observando tudo com olhos de vingança.




