| 1 ano atrás

“Orgulho & Paixão” nunca esteve tão perto de abordar a homossexualidade

Por Eduardo Veloso

Comemorou-se nessa quinta, 28, o dia internacional do Orgulho LGBT, e, com o tema ganhando cada vez mais notoriedade, as nossas expectativas de que ele também tenha mais espaço na telinha seguem altíssimas, afinal, se não houver um bocado de esperança, o que serão das lutas, não é mesmo?

Nesse sentido, sabe-se que dos horários da grade de novelas globais, o das seis sempre foi considerado o mais leve, aquele destinado a contar as histórias mais singelas de amor, e, não atoa é uma das faixas mais queridas pelos espectadores, aquela considerada menos apelativa e que tem as tramas mais agradáveis. Elas funcionam como um calmante para o estresse diário e para o caos cotidiano, pelos quais a população em geral normalmente passa. Mas o que realmente nos interessa é que não há nada mais coerente que um horário que se propõe a falar sempre de amor – é claro, tendo seu foco variando de acordo com as tramas exibidas – traga a perspectiva da homossexualidade, uma vez que é isso que casais do mesmo sexo fazem: se amam, como quaisquer outros.

[do_widget id=mvp_ad_widget-5]

Em “Orgulho & Paixão”, atual novela da faixa, a qual aborda questões bem relevantes e que merecem uma atenção especial em outro momento, há uma clara sugestão do tema na história de Luccino, personagem de Juliano Laham. Ele é retraído, sensível e nunca se apaixonou por ninguém. Ao menos, não até conhecer Mário, a persona disfarçada que Mariana, interpretada por Chandelly Braz, usa. Ao longo de vários capítulos uma amizade entre os dois foi sendo construída e desenvolvida de forma sutil. Carregada de muito carinho e admiração, essa relação ganhou novas formas e esteve longe de ser apenas pautada por um sentimento fraternal.

Juliano Laham e Chandelly Braz em cena de “Orgulho & Paixão”. (Reprodução: Globo)

Nos últimos capítulos, Luccino beijou Mário e, após tê-lo feito, ambos foram tomados por um grande constrangimento. Quando Mariana surge para questionar o amigo, ele se desculpa, pede um abraço, diz que o que há entre os dois é apenas amizade, mas, em seguida, pede que ela apareça nas próximas vezes como o sujeito de bigode atrapalhado, mostrando uma clara preferência pela figura que está no disfarce usado por ela.

[do_widget id=mvp_ad_widget-5]

O que se faz entender por nós espectadores é que apesar da justificativa que pretendia afastar pensamentos considerados impróprios para a época, Luccino na verdade se sente atraído pela outra identidade de Mariana. É quando Mário aparece que os sentimentos do rapaz se afloram, marcando a real sexualidade do personagem.

Luccino (Juliano Laham) não resistiu e beijou Mariana (Chandelly Braz) quando ela estava caracterizada como Mário. (Reprodução: Globo)

Novos Rumos

Tendo em vista que com Mariana e, consequentemente, com Mário, Luccino não poderá viver uma relação homoafetiva, o desenrolar da trama do rapaz parece apontar para Otávio (Pedro Henrique Müller), como mesmo afirma Laham para o Jornal Extra: “Acho que eles podem ficar juntos porque tudo está caminhando para isso”. Sem se declarar a favor ou contra esse desenvolvimento, ele acrescenta: “Torço para Luccino encontrar um amor verdadeiro, independentemente de ser com homem ou mulher. O importante é que ele não se importe com o que os outros pensem”.