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‘Da Cor do Pecado’: 16 anos de um sucesso inesquecível no horário das 19h

Por José Miguel Toledo

Em 26 de janeiro de 2004, ia ao ar o primeiro capítulo de “Da Cor do Pecado”, primeira novela de João Emanuel Carneiro, que levava a direção de Denise Saraceni. A dupla voltará a trabalhar em parceria no segundo semestre deste ano, quando deve estrear o próximo projeto do autor no horário nobre.

“Da Cor do Pecado” foi a novela de maior sucesso no horário das 19h neste século: 43 pontos de média geral. Em razão dela e de “Cobras & Lagartos” (2006), que mesclavam comédia com mirabolantes tramas policiais, João Emanuel Carneiro foi logo promovido para autor do horário das 21h. Para efeito de curiosidade, “Da Cor” foi a primeira novela urbana e contemporânea a trazer uma atriz negra como protagonista.

História

Preta e Paco foram o casal protagonista da novela. Foto: Divulgação.

A novela girava em torno da história de amor de Preta (Taís Araújo) e Paco (Reynaldo Gianecchini). Os dois se conhecem no Maranhão e se encantam um pelo outro, mas pertencem a mundos opostos: ela é negra e pobre, vende ervas medicinais numa feira. Ele é um jovem ambientalista, herdeiro de um dos mais ricos empresários do Brasil,

Noivo da ambiciosa Bárbara (Giovanna Antonelli), Paco não tem coragem de romper com a vilã ao descobrir que ela está grávida – ela, na verdade, espera um filho do amante Kaíke (Tuca Andrada).

No Maranhão, Preta e Paco são separados pelas armações de Bárbara. Em seguida, ele sofre um acidente de helicóptero ao tentar fugir do pai, Afonso Lamertini (Lima Duarte), com quem mantém uma péssima relação, e que tenta interná-lo numa clínica para doentes mentais, certo de que o filho está desequilibrado.

Giovanna Antonelli deu vida a Bárbara, vilã da história. Foto: Divulgação

Paco é dado como morto e resgatado por Ulisses (Leonardo Brício), que tentava encontrar o irmão, Apolo (Reynaldo Gianecchini), desaparecido após levar um tiro ao ter o barco onde viajava invadido por criminosos.

Paco se surpreende com a anormal semelhança física entre ele e o irmão daquele desconhecido, mas os dois firmam um pacto: querendo fugir de seu passado, Paco passará a ser Apolo para a família Sardinha, humildes lutadores de vale tudo comandados com mãos de ferro por Edilásia (Rosi Campos). Ulisses não quer que a mãe saiba que perdeu um filho.

O segredo que une Edilásia a Afonso é justamente esse: os dois tiveram um romance quando ela foi empregada do milionário, e ao engravidar, lhe entregou somente um filho. O outro gêmeo ela própria criou, às escondidas do ex-patrão.

Passados oito anos, Preta e Paco se reencontram no Rio e vivem sua história de amor, mas a mocinha está certa de que ele é Apolo. Ela tenta aproximar o filho que tivera de seu grande amor, Raí (Sérgio Malheiros), de Afonso, mas enfrenta as maldades e armações de Bárbara, que tenta convencer o empresário que a rival é uma impostora.

Mesmo sem acreditar que Raí possa ser seu neto, Afonso se apega verdadeiramente ao menino e aprende a rever os valores da vida graças à linda amizade que desenvolve com o neto. Bárbara, por sua vez, se alia ao mau-caráter Tony (Guilherme Weber), com quem se casa, para abocanhar a fortuna de Afonso e destruir Preta e o intruso Paco/Apolo.

Verinha e Eduardo fizeram muito sucesso com suas confusões. Foto: Divulgação.

Os destaques da história, além da densa trama central, ficaram por conta do bom humor dos núcleos secundários. A família Sardinha era inspirada em personagens em quadrinhos. Os valentões lutadores de vale tudo precisavam de uma sopa mágica da amorosa “Mamuska” para terem sorte no ringue.

Além disso, fizeram sucesso os ricos falidos Eduardo (Ney Latorraca) e Verinha (Maitê Proença), os trambiqueiros pais de Bárbara, e o charlatão pai Helinho (Matheus Nachtergaele), falso vidente que entra em desespero ao começar a ver espíritos de verdade.

A novela foi reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2007 e em 2012.