2 meses atrás

23 anos de ‘A Indomada’: oxente, my God

Por José Miguel Toledo

Em 17 de fevereiro de 1997, ia ao ar o primeiro capítulo de “A Indomada”, inesquecível sucesso do horário nobre da Globo. A novela fazia parte da série de tramas regionalistas, com realismo mágico, de Aguinaldo Silva.

A novela se passava na cidadezinha nordestina de Greenville, um espaço colenizado por ingleses, e onde os moradores viviam com hábitos peculiares, tais como o uso de expressões idiomáticas que tinham inglês.

A história começava mostrando o romance proibido entre Eulália (Adriana Esteves) e Zé Leandro (Carlos Alberto Ricelli). Ela era irmã do usineiro Pedro Afonso (Claudio Marzo) e se apaixonava pelo humilde boia-fria. Os dois tinham uma filha, Lúcia Helena, para horror de Pedro Afonso e de sua mulher, a inescrupulosa Maria Altiva (Eva Wilma).

À beira da falência, os Mendonça e Albuquerque prometem a mão da adolescente Lúcia Helena (Leandra Leal) em casamento ao rico forasteiro Teobaldo Faruk (José Mayer) depois que a menina se tornar uma mulher. O comerciante é apaixonado por Eulália, mas esta e Zé Leandro morrem vítimas das maldades de Altiva.

Helena viaja para a Europa para estudar. Retorna, já adulta (também interpretada por Adriana Esteves), certa de que precisa honrar seu compromisso com Teobaldo. Ele se apaixona pela jovem como acontecera no passado com sua mãe, mas Helena é a indomada da trama.

Helena exige de Teobaldo a usina que ele ganhou de Pedro Afonso no passado, com o desejo de reativá-la e investir na produção de cana-de-açúcar, como desejava seu pai. Os dois se casam, mas Helena se recusa a se entregar a Teobaldo. Com medo de que o comerciante turco tome os bens da família devido ao gênio da sobrinha, Altiva trata de perseguir a jovem e tentar impedi-la de reabrir a usina familiar.

Eva Wilma foi o grande destaque da novela de 1997. Foto: Divulgação.

O carisma de Maria Altiva, a principal vilã da novela, é o principal ponto positivo da história. Beata moralista e religiosa, ela invocava o raio divino, munida de uma cruz, toda vez que via algo que julgava imoral na cidade. A megera era a principal perseguidora de Zenilda (Renata Sorrah), dona do bordel de Greenville, onde seu marido frequentava. Altiva também era cúmplice do deputado corrupto Pitágoras (Ary Fontoura).

Outros destaques da novela eram o prefeito Ypiranga (Paulo Betti), viciado em obras, sua mulher Scarleth (Luiza Tomé) e a juíza Mirandinha (Betty Faria), incorruptível, workaholic e crítica da gestão do político.

No final de “A Indomada”, a cena mais marcante da trama: Altiva prende Helena em um cativeiro e coloca fogo. A mocinha é salva por Teobaldo, mas a vilã desaparece em meio às chamas e seu rosto surge em meio às nuvens do céu, dando uma gargalhada macabra e prometendo voltar.

“A Indomada” se tornou referência no imaginário popular e seu universo foi explorado por Aguinaldo Silva em muitas outras novelas. Em “Porto dos Milagres” (2001), o deputado Pitágoras reaparece. Já no final de “Fina Estampa” (2011), a trambiqueira tia Íris, personagem de Eva Wilma, foge do Rio de Janeiro e chega a uma cidade cuja placa é Greenville.

A última e desastrosa novela de Silva na Globo, “O Sétimo Guardião” (2018), que retomou o gênerio de realismo fantástico na emissora, mostrava Greenville com frequência. A cidade era vizinha da de Serro Azul, principal cenário da história da fonte de água milagrosa.

O inesquecível final da vilã de ‘A Indomada’.

“A Indomada” foi reapresentada em 1999 pela Globo e em 2018 pelo Canal Viva.