A abertura de Vale Tudo é mais do que um aperitivo visual para a novela das nove. Em apenas um minuto, ao som de “Brasil”, na voz de Gal Gosta, o vídeo costura 119 imagens que capturam a alma de um país plural, contraditório e profundamente humano.
O ritmo frenético, longe de ser mero artifício estético, força o espectador a absorver, quase no nível subconsciente, as múltiplas narrativas que compõem o retrato do Brasil.
Cada figura escolhida carrega um significado. Mormila Araújo, por exemplo, aparece tanto como bailarina quanto dançando funk na periferia — um gesto que recusa dicotomias fáceis entre “alta cultura” e “cultura popular”, entre arte e realidade.
Já Edson dos Santos, motoboy e pai de quatro filhos, aparece por um segundo, mas representa milhões de brasileiros invisíveis e fundamentais. E até mesmo Juca Francisco, um cachorro resgatado de um esgoto, traz à tela um símbolo de resistência e ternura em meio à aspereza urbana.

A vinheta se constrói como uma narrativa em três atos: começa com cenas idealizadas, mergulha em contrastes sociais e encerra com um sopro de esperança — condensado no plano de uma bebê recém-nascida ao lado de uma urna. Confira a reportagem feita pelo Fantástico no vídeo acima.
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