Em A Indomada, nem os coqueiros balançavam tranquilos em Greenville quando caía a noite de lua cheia. Por trás do clima de cidadezinha pacata do interior, havia um mistério que deixava as mulheres com os cabelos em pé.
Não era só o nome que chamava atenção — o sujeito era uma figura praticamente mitológica, sempre à espreita, usando um terno azul-marinho, chapéu enfiado até as sobrancelhas e quadris avantajados que faziam jus ao apelido. Suas aparições eram sempre assustadoras: uma mulher sozinha, um breu sinistro e, de repente, lá estava ele surgindo do nada.
Uma das primeiras a experimentar o pânico de um encontro com o Cadeirudo foi ninguém menos que Scarlet (Luiza Tomé), a fogosa primeira-dama da cidade. Após uma briga com o marido, o prefeito Ypiranga (Paulo Betti), ela decidiu sair de casa com a libido à flor da pele – e apenas de camisola.
Zanzando no meio da praça, a esposa do prefeito foi surpreendida pela silhueta imponente do tal agressor. O grito que ecoou foi tão estrondoso que conseguiu tirar meio mundo da cama. Scarlet desmaiou e, ao recobrar os sentidos, ainda zonza, viu ao longe o vulto fugindo. “Eu fui atacada pelo Cadeirudo!”, murmurou para si mesma, em estado de choque

Em questão de segundos, uma verdadeira comitiva de curiosos e autoridades se formou no local. Entre os primeiros a chegar estavam o próprio Ypiranga, o ardiloso Pitágoras (Ary Fontoura), o sempre confuso delegado Motinha (José de Abreu) e a juíza Mirandinha (Betty Faria).
Apesar do escândalo iminente, Scarlet resolveu calar a boca. Fingiu que nada aconteceu, que estava ali apenas tomando um ar, pisou em falso e torceu o tornozelo.




