Odete Roitman teve outro assassino na versão internacional de Vale Tudo. O primeiro remake da novela, batizado de Vale Todo, foi produzido em 2002 em uma parceria entre a Globo e a Telemundo, voltada para o público hispânico nos Estados Unidos. Apesar de seguir a essência da trama original de 1988, o final foi completamente diferente — veja os vídeos ao longo do texto.

Na versão clássica, exibida pela Globo, Leila (Cássia Kis) é quem mata Odete Roitman (Beatriz Segall) — por engano. Ela acreditava que a mulher com Marco Aurélio (Reginaldo Faria) era Maria de Fátima (Gloria Pires) e acabou atirando na milionária através de uma porta.
Já no remake hispânico, a vilã passou a se chamar Lucrécia Roitman, interpretada pela atriz cubana Zully Montero. O elenco foi formado por atores de diversos países da América Latina. No desfecho, o mistério é resolvido com uma reviravolta inédita: Eugênio, o mordomo da família, é o verdadeiro assassino da megera.

Na versão de 1988, o personagem foi vivido por Sérgio Mamberti. Em Vale Todo, o papel ficou com Julio Rodríguez, que interpreta um homem fiel aos Roitman, mas que decide se vingar de Lucrécia por todo o sofrimento que ela causou à filha, Heleninha (Alejandra Borrero) — personagem que no Brasil foi de Renata Sorrah e que, no remake atual de 2025, é interpretada por Paolla Oliveira.
Vale Todo foi uma tentativa da Globo de expandir suas produções para o mercado internacional. A novela foi gravada no Rio de Janeiro, com estúdios e locações da emissora brasileira, mas exibida exclusivamente pela Telemundo. O elenco misturava talentos de diferentes nacionalidades — mexicanos, colombianos, cubanos, peruanos, argentinos e venezuelanos.
O ator Antonio Fagundes, galã da versão original, fez uma participação especial como Salvador, pai da protagonista Raquel, interpretada por Itatí Cantoral, famosa por viver a vilã Soraya Montenegro em Maria do Bairro (1995). Veja o vídeo abaixo:
A adaptação do texto de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères ficou a cargo de Yves Dumont, que já havia trabalhado na Record e mais tarde atuaria no SBT. Com a audiência abaixo do esperado, o roteirista Walther Negrão foi chamado para ajustar a história, tentando aproximá-la do público latino.
Apesar do esforço, o remake não emplacou. A crítica apontou que o enredo continuava excessivamente centrado na cultura brasileira, o que dificultou a identificação do público internacional. O fracasso fez Globo e Telemundo desistirem de novos projetos conjuntos.
A parceria, no entanto, rendeu outras adaptações pontuais: O Clone (2001) virou El Clon em 2010, e Fina Estampa (2011) ganhou uma versão chamada Marido en Alquiler em 2013.
A seguir, veja um trecho da cena da revelação do assassino na versão internacional de Vale Tudo:




