A morte de Alexandre (Guilherme Fontes) traz uma guinada decisiva para A Viagem. Após cometer suicídio na cadeia ao ingerir uma dose excessiva de medicamentos, o personagem abandona o plano físico, mas segue presente na trama — agora como um espírito atormentado, disposto a espalhar sofrimento entre os que considera seus inimigos.
Sem encontrar descanso, Alexandre desperta em um ambiente hostil e desolador, batizado na novela de Vale dos Suicidas. O cenário representa um espaço de transição espiritual, marcado por vibrações de dor, revolta e arrependimento.
O conceito do lugar não remete ao Inferno tradicional das representações cristãs, mas é baseado em doutrinas espíritas codificadas por Allan Kardec (1804-1869). Segundo essa visão, o Vale dos Suicidas é um ponto de passagem para espíritos que ainda carregam sentimentos negativos e que, por isso, permanecem presos à Terra ou a zonas de sofrimento.
Mesmo cercado por entidades de luz que tentam oferecer auxílio e conduzi-lo a um caminho de regeneração, Alexandre se recusa a mudar. Cego pela raiva e pela sede de vingança, escolhe o caminho da obsessão espiritual.
A partir de então, o vilão passará a interferir diretamente na vida dos que cruzaram seu caminho, espalhando discórdia, medo e desestabilizando emocionalmente aqueles que ainda estão no plano material.







