Nos momentos finais de Renascer, o destino de Tião Galinha (Irandhir Santos) fica nas mãos de Joana (Alice Carvalho), que enfrenta forças além da compreensão humana para salvar a vida dele. Ela acredita que o diabinho aprisionado na garrafa é o responsável por todas as desgraças que atingiram seu marido. Então, ela liberta a criatura e impede que o ex-catador de caranguejo seja levado para as profundezas do inferno.

José Bento (Marcello Melo Jr) é quem explica o estranho acontecimento para o público, revelando que Tião havia prometido sua vida ao cramulhão em troca de um pedaço de terra. “No desespero em que se encontrava, ele achou que essa era a única opção”, conta o advogado a José Inocêncio (Marcos Palmeira).
“Joana ficou sabendo da promessa e decidiu dar cabo do diabinho, antes que ele viesse cobrar o prometido”, detalha Kika (JulianeAraújo). A partir daí, o público entende melhor o confronto entre a dona de casa e a entidade maligna, especialmente quando ela destrói a garrafa e vê o capetinha sangrar ao virar comida para as galinhas.
Em seguida, um bode preto aparece diante de Joana e corre para o meio do mato, em direção às terras de Egídio (Vladimir Brichta). Destemida, a mulher pega um facão e persegue o bicho na escuridão da noite. Ao mesmo tempo, a sombra do demônio fica cada vez maior na cela onde Tião continua preso. Na cena, ele está com os olhos fechados, criando um suspense se está vivo ou morto.
De volta à mata, o bode chega até as hortas plantadas pelo personagem de Irandhir Santos. Quando Joana se prepara para golpeá-lo com o facão, o animal vira-se e ela percebe que não se trata do cramulhão. Ele morde uma folha, entrega à mulher e deita-se manso aos pés dela.
Joana entende que deve colher os alimentos plantados pelo marido. E assim ela faz: pega folhas, milhos e frutos e corre para a cadeia, onde o pobre coitado está à beira da morte.
Com isso, Tião não só recupera as forças, como evita o trágico desfecho que teve na versão original de 1993, quando o personagem interpretado por Osmar Prado se enforcou na prisão.

Após essa reviravolta, Tião é libertado com a ajuda de José Bento e Kika. Já Joana recebe a visita de José Inocêncio, que, surpreso com a ousadia dela de destruir o diabinho, pede discrição sobre o ocorrido. Ela relata seu confronto com o capeta e o que testemunhou ao quebrar a garrafa:
“No fim das conta, o diabo num era tão feio quanto se pintava…”, diz a dona de casa. Confuso, o coronel questiona sobre qual diabo ela está falando.
“Quando quebrei aquela garrafa, o coiso ruim pulô de lá de dentro e veio parar bem ni minha frente… Quem nem o povo diz que ele fazia com o sinhô... Só que num foi mijá os pé de cacau, não… Foi trazer minha riqueza de volta: a família.”
Inocêncio responde sabiamente: “Pois então aproveite, Joana, que num tem fortuna nessa vida que se compare a essa!”. Por fim, os dois combinam de não falarem sobre isso para mais ninguém.
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