Com uma trajetória que ultrapassa três décadas, Fábio Assunção afirma que poucas vezes vivenciou uma entrega tão intensa quanto em Garota do Momento, trama das seis da Globo. Aos 53 anos, o ator reconhece que a novela de Alessandra Poggi marcou um novo patamar em sua forma de viver a atuação — não apenas como ofício, mas como parte essencial de sua própria biografia.
“Desde quando comecei garoto, com 19 anos, as novelas plugam minhas fases. Quando lembro de alguma coisa da minha vida, lembro que estava fazendo tal novela. Esse momento da minha vida é um momento de muita maturidade, pude saborear de uma forma nova esse encontro com elenco, direção, equipe de arte, uma coisa diferente. Nunca tinha saboreado tanto esse encontro”, declarou, em entrevista à revista Quem.

O papel do empresário autoritário Juliano, que resiste às transformações do mundo ao seu redor, revelou um lado menos conhecido de Fábio. Ele descobriu que é possível equilibrar intensidade dramática com prazer criativo.
“Descobri que tem um lado nosso de se divertir trabalhando. Posso estar fazendo cenas horríveis de vilão, mas tem uma brincadeira. Estou com a Lilia [Cabral], Letícia [Colin], Cauê [Campos] em cena, mas tem sempre um distanciamento. Por mais que a gente esteja falando de coisas absurdas, a gente saboreia as cenas.”
Fábio Assunção
Essa cumplicidade nos bastidores, segundo o ator, foi um dos fatores decisivos para a qualidade do produto final. “É uma trama que, em nenhum momento, deixou a peteca cair”, afirmou.

Além de estar em cartaz nos palcos cariocas com o espetáculo Férias, ao lado de Drica Moraes, Fábio faz questão de acompanhar os capítulos da novela no Globoplay. A rotina, que poderia parecer exaustiva, na verdade reforça seu entusiasmo: “De maneira geral, para mim, foi uma novela que pude saborear mais no tempo que estou de maturidade”.
O vilão Juliano, no entanto, não foi construído com base em arquétipos tradicionais. Para Fábio, o personagem é complexo, contraditório, e exige uma leitura além da maldade aparente. Um desses traços, inclusive, foi trabalhado em detalhes com a autora da novela: o hábito de chamar a mãe de “mamãe” — um reforço simbólico do vínculo de dependência e da ausência de autonomia emocional.
Ambientada em 1958, a novela oferece também uma oportunidade de reflexão histórica. A maneira como as mulheres e pessoas negras eram tratadas na época chama atenção de Fábio, que vê na trama um espelho do que ainda precisa ser debatido: “O que mais me impactou é como a gente evoluiu e se libertou de uma coisa bizarra. A gente fala que está muita coisa atrasada, mas só a questão da liberdade já é uma coisa fantástica, os pretos, as mulheres”.
“Ainda que não seja de uma forma orgânica e geral, ainda que existam lugares que isso não acontece, a gente tem muito mais liberdade do que tinha em 1958. Tem muita coisa que continua igual na palavra, mas mudou muita coisa legalmente”, completou.
Uma carreira brilhante na TV

Com apenas 19 anos, Fábio Assunção viu sua vida mudar de forma definitiva ao ser aprovado para um papel em Meu Bem, Meu Mal (1990), novela das oito da Globo. O jovem paulista trocou a faculdade de Publicidade e o interior de São Paulo por uma nova rotina no Rio de Janeiro — e pelo início de uma carreira que atravessaria gerações.
Mesmo com um personagem discreto, sua presença diante das câmeras chamou atenção. Rapidamente, foi escalado por Jorge Fernando para Vamp (1991), confirmando sua aposta pessoal de que a televisão era o seu destino. O reconhecimento veio rápido: durante as gravações, comprou seu primeiro apartamento.
Nos anos seguintes, Fábio mostrou versatilidade. Viveu seu primeiro vilão em Sonho Meu (1993), experimentou novos horários e públicos, e protagonizou um momento marcante — e doloroso — com De Corpo e Alma (1992), de Gloria Perez. Nessa novela, interpretava o par romântico da personagem de Daniela Perez, assassinada durante a exibição da trama.
“Eu lembro que liguei para a Gloria e pedi para sair. Disse que não tinha mais função. Ela falou: ‘Agora que eu preciso de você’. É uma novela da qual praticamente só consigo me lembrar disso. Foi um momento especial, difícil, acho que único.”
Fábio Assunção, em entrevista ao Memória Globo

Trabalhou com Benedito Ruy Barbosa na emblemática O Rei do Gado (1996). No ano seguinte, destacou-se em Por Amor, sua única colaboração com Manoel Carlos. Sua parceria mais frutífera, contudo, foi com Gilberto Braga. Estreou com o autor em Pátria Minha (1994), e voltou a trabalhar com ele em Labirinto (1998), Força de um Desejo (1999) e na icônica Celebridade (2003), onde deu vida ao inesquecível Renato Mendes. O papel lhe rendeu prêmios. “O jeito como as pessoas me olham como ator mudou, e muito, depois que fiz o Renato Mendes”, revelou.
Após Paraíso Tropical (2007), Fábio apareceu com menos frequência nas novelas. Recusou um papel em A Favorita (2008) e, logo depois da estreia, desfalcou o elenco de Negócio da China (2008) por questões de saúde relacionadas à dependência química. Ressurgiu na telinha explorando sua veia cômica na seriado Tapas & Beijos (2011), que durou alguns anos e reconectou o ator com o grande público de maneira leve e bem-humorada.
Voltou a protagonizar um folhetim em Totalmente Demais (2015), vivendo um triângulo amoroso com Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas. Mais um sucesso da carreira do galã. Na fase mais recente de sua trajetória, Fábio aprofundou sua habilidade em compor personagens de natureza complexa e moral ambígua. Foi o juiz Ramiro, um vilão de fortes nuances dramáticas, em Onde Nascem os Fortes (2018), e depois experimentou um lado sombrio com outro antagonista em Todas as Flores (2022), outro sucesso.
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Muito boa e bem espaçosa, e o som dela é bem baixo quando esta assando a comida. Recomendo a quem tiver interesse.




