A cantora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de complicações causadas por um câncer no intestino. Ela estava nos Estados Unidos, onde vinha realizando um tratamento experimental contra a doença, diagnosticada em janeiro de 2023.

Após passar por sessões de quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia para retirada de tumores em agosto de 2024, Preta teve uma recidiva, com o câncer se manifestando em outras partes do corpo. Em busca de alternativas, decidiu continuar o tratamento em um centro médico especializado nos Estados Unidos, com sede em Washington. Ela estava hospedada em Nova York.
Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Preta era irmã de Pedro e Maria. Por parte do pai, também era irmã de Nara, Marília, Bem, José e Bela Gil, filhos de outras relações do cantor.

Preta deixou um único filho, Francisco Gil, fruto do casamento com o ator Otávio Müller, com quem se uniu em 1994. O casal se separou no ano seguinte. Francisco é pai de Sol de Maria, neta da cantora. Em 2009, ela se casou com o mergulhador Carlos Henrique Lima, com quem ficou até 2013. No mesmo ano, iniciou um relacionamento com Rodrigo Godoy, oficializado em casamento dois anos depois. A relação terminou em 2023, durante o tratamento oncológico de Preta.
Apesar de crescer cercada pela música, Preta só estreou como cantora aos 29 anos, quando lançou seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter (2003), que trouxe a canção Sinais de Fogo, composta por Ana Carolina. O disco causou polêmica por trazer a artista nua na capa. “Meu pai me disse: ‘Desnecessário, Preta’. Ele sabia o que viria depois. E veio. Muita crítica, muito conservadorismo”, relembrou a cantora em entrevista a Pedro Bial.
Em 2005, lançou o segundo disco, Preta, com faixas como Muito Perigoso e Eu e Você, Você e Eu. Já em 2010, apresentou ao público o álbum Noite Preta, que se transformou em uma turnê de grande sucesso, rodando o país por sete anos. Foi durante esse período que surgiu o projeto Baile da Preta, um espetáculo musical vibrante que refletia o ecletismo da artista.

A versatilidade de Preta também se manifestou na TV. Em 2010, ela estreou como apresentadora do programa Vai e Vem, exibido pela GNT, onde abordava sexualidade com convidados dentro de um elevador. “Queria um programa inteligente, com humor, sem vulgaridade”, contou em entrevista a Jô Soares.
Dois anos depois, lançou o álbum Sou Como Sou, com as faixas Mulher Carioca e Relax. Em 2013, celebrou uma década de carreira com o registro audiovisual Bloco da Preta, DVD com participações de Lulu Santos, Ivete Sangalo, Anitta, Thiaguinho e Israel Novaes.
O bloco, aliás, virou um dos maiores do carnaval do Rio de Janeiro. A estreia aconteceu em 2010, mas foi em 2017 que o Bloco da Preta alcançou seu auge, levando mais de 500 mil foliões às ruas do Centro. “É o momento mais especial do meu ano. Um xodó mesmo. Trabalho o ano todo por isso”, declarou ao G1 na época.

Em 2017, lançou seu sexto e último álbum, Todas as Cores, distribuído digitalmente. O disco contou com participações de Gal Costa, Pabllo Vittar e Marília Mendonça, e incluiu a faixa Botando a Fila para Andar, novamente composta por Ana Carolina.
Em 2021, gravou Meu Xodó ao lado do filho, em uma fase emocionalmente delicada. “Essa música me salvou. Se não fosse ele, eu talvez tivesse perdido minha voz. Ele me puxou de volta”, contou.
Além da música e da TV, Preta se destacou como empresária. Era uma das sócias da Mynd, agência de marketing de influência com artistas como Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Camilla de Lucas entre os agenciados.
A última apresentação pública de Preta aconteceu em abril deste ano. Ela surgiu de surpresa durante um show de despedida do pai, Gilberto Gil, em São Paulo, na turnê Tempo Rei. Juntos, pai e filha cantaram a comovente Drão. Gil chorou. No telão, imagens de arquivo da família foram exibidas, enquanto o público aplaudia de pé e entoava em coro: “Preta! Preta!”.
Ao longo de sua trajetória, Preta Gil se firmou como uma das vozes mais autênticas da cena artística brasileira — rompendo padrões, enfrentando preconceitos e celebrando a diversidade com alegria, coragem e afeto.




