O Jornal Nacional completou 56 anos nesta segunda (1) e, no dia do aniversário, virou a própria notícia. William Bonner, que está há quase três décadas na bancada, anunciou que vai deixar a apresentação e o posto de editor-chefe do principal telejornal da Globo. A data da despedida já está marcada: 3 de novembro. A informação foi oficializada pela emissora em comunicado.

A saída, que movimentou os corredores da emissora nos últimos meses, vinha sendo tratada como um segredo guardado a sete chaves. Mas Bonner não está saindo de cena: em 2026, ele vai comandar o Globo Repórter ao lado de Sandra Annenberg. “Não estou pronto para me aposentar, só queria mudar de ares e ter uma rotina diferente”, contou ele, durante um almoço organizado pela Globo no Rio de Janeiro para oficializar a transição.
No lugar de Bonner, quem assume a bancada ao lado de Renata Vasconcellos é César Tralli, um dos nomes de maior credibilidade da emissora, já acostumado a substituir o colega nas férias e ausências. O jornalista, que atualmente está à frente do Jornal Hoje, também passará a ocupar o cargo de editor-executivo do JN.

A movimentação provoca um efeito dominó: Roberto Kovalick assume o JH, enquanto Tiago Scheuer passa a comandar o Hora Um. E tem mais mudança: Cristiana Souza Cruz, editora-adjunta do JN, será promovida ao posto de editora-chefe, papel que também era de Bonner.
Segundo relatos de bastidores, a ideia de deixar o JN já rondava Bonner desde 2020, no auge da pandemia. Foi um processo longo de conversas internas até que a emissora encontrasse o momento certo para anunciar a troca. “William nos procurou há cinco anos com esse desejo, e sabíamos que não seria algo imediato. Uma mudança dessa magnitude exige preparação”, disse Ricardo Villela, diretor de jornalismo da Globo.
Bonner, que é pai de três filhos com a também jornalista Fátima Bernardes, revelou que a família foi determinante na decisão. Dois deles vivem na França, e ele quer estar mais presente no dia a dia.
“Hoje em dia, a verdade não é mais tão importante quanto a versão. Sei que minha saída pode gerar especulações, mas esse foi um movimento pessoal e necessário.”
Apesar do peso histórico da notícia, o clima do anúncio foi descontraído. Bonner chegou animado, fez piadas, contou bastidores do JN e até imitou colegas de redação. Ao lado dele, estavam Renata Vasconcellos, Sandra Annenberg, César Tralli e os diretores Ricardo Villela e Miguel Athayde.

Tralli, que recebeu o convite oficialmente há cinco meses, disse que o segredo foi guardado até da família. Casado com Ticiane Pinheiro e pai de Manuella, de 6 anos, ele deve se mudar para o Rio em breve, mas garante que não vai mudar a forma como se conecta com seus mais de 4 milhões de seguidores no Instagram: “Mostro minha família, bastidores, mas não falo de notícias. Comecei a fazer isso de forma natural e vi que teve uma boa aceitação”.
Com a saída, William Bonner entra para a história como o apresentador mais longevo do JN — foram 29 anos, superando até o reinado de Cid Moreira. “Foram quase três décadas. Agora é hora de viver novas experiências e deixar espaço para outros talentos”, resumiu o jornalista, entre um riso e outro.

Nos bastidores da Globo, ninguém esconde que a saída de Bonner é uma das mudanças mais simbólicas já vistas no telejornalismo brasileiro. Uma nova fase começa — e, se depender do público, a expectativa é de que o JN siga como referência, agora com a marca de César Tralli e Renata Vasconcellos.
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