Quinze anos após dar vida à primeira Helena negra de uma novela de Manoel Carlos, Taís Araujo voltou a falar sobre os impactos que Viver a Vida (2009) teve em sua trajetória — tanto profissional quanto pessoal. Em entrevista exibida pelo Fantástico, a atriz relembrou o peso que carregou ao interpretar a protagonista, que deveria um ponto de virada triunfante em sua carreira — e acabou alvo de rejeição do público.
Na conversa, Taís esteve acompanhada da mãe, Mercedes, que deu o tom do início do relato ao lembrar como a enxurrada de críticas afetou a filha. “Eu via a novela, não achava que estava nada errado, achava que ela estava ótima, só que o público não aceitava que ela já chegou rica, mulher poderosa, super premiada”, refletiu ela.
A lembrança emocionou a atriz, que se deixou levar pelas lágrimas ao lembrar do sofrimento vivido. “Fico emocionada. Hoje eu sou mãe, gente. Você ver um filho seu muito triste, é a última coisa que você quer. A gente não quer isso na vida”, disse Taís, com a voz embargada.
“Helena não foi só um trabalho, foi ‘o’ trabalho. Não era o fantasma que pintei. Pelo contrário, Helena foi transformadora para muitas mulheres.”
Taís Araújo

Taís contou que, ao longo dos anos, passou a receber relatos de telespectadoras tocadas pela personagem da trama — recém-reprisada no Viva. “A quantidade de mulheres que eu encontro e falam ‘deixei meu cabelo ficar crespo porque te vi na novela’…”
A atriz, que agora vive a protagonista de Vale Tudo, ainda destacou como aquela experiência dolorosa também serviu como um divisor de águas em sua atuação. “Depois de Xica da Silva, Helena foi a personagem foi a personagem que me abriu, ampliou meu olhar artístico. Tive um insight de que eu precisava botar minha negritude para falar em todas minhas personagens. Tanto que minha carreira é uma antes e outra depois”.
Essa não é a primeira vez que Taís fala abertamente sobre a traumática experiência de estrelar Viver a Vida. Em 2017, durante uma edição do Saia Justa, programa que apresentava no GNT, ela trouxe o assunto à tona pela primeira vez.
“O personagem não era legal, eu me senti muito sozinha e eu também não fazia bem. Também não sei se tinha como fazer bem, já que não era bom. Aquele texto não me dizia nada, eu me sentia a professora do Snoopy”, disse na época.
Na tentativa de vencer o bloqueio, ela buscou ajuda de uma grande amiga, a atriz Aracy Balabanian — falecida em 2023. “A Aracy Balabanian é muito minha amiga, eu ia pra casa dela às 9h, e a Aracy não acorda cedo… Mas ela acordava cedo pra ficar comigo, passar texto comigo, tomar café comigo, tentando me tirar daquela areia movediça. E eu não conseguia sair daquele lugar. Eu patinei até o fim”, revelou.




