O ator português Ângelo Rodrigues vem arrancando suspiros do público no remake de Vale Tudo, onde dá vida a Martin, o namorado de Odete Roitman (Débora Bloch).

Ângelo não é um nome novo na televisão portuguesa. Nascido no Porto e atualmente morando em Lisboa, ele sonhava ser jogador de futebol, mas se encantou pela arte por influência de uma tia que era atriz. Ficou conhecido ainda jovem ao protagonizar Morangos com Açúcar (2007), uma espécie de Malhação lusitana, e consolidou sua carreira em grandes novelas da TVI e SIC — duas das maiores emissoras de Portugal. Seu currículo inclui a premiada Laços de Sangue, novela que venceu o Emmy Internacional em 2011.
Após acertar sua participação em Vale Tudo, o galã embarcou imediatamente para o Brasil. “Cheguei em um sábado, estudei no domingo, ensaiei na segunda e gravei minha primeira cena na terça. Um processo intenso, mas absolutamente gratificante”, contou ele em entrevista ao Gshow.

Apesar de não conhecer em profundidade o fenômeno cultural que a novela representa, ele mergulhou de cabeça no projeto e se surpreendeu com a relevância simbólica da personagem Odete Roitman no imaginário brasileiro.
“Claro que deu um frio na barriga, não apenas pelo peso da personagem, mas pelo carinho e expectativa que o público tem com essa história”, afirmou.


Contudo, a experiência de trabalhar no Brasil não é novidade para o ator. Ele já havia participado de outras produções por aqui, como as séries As Canalhas (2015) e Olhar Indiscreto (2022), esta última uma produção da Netflix que explorou cenas intensas de sedução e mistério.
Com essa bagagem, Ângelo já havia sentido o ritmo diferente das produções nacionais. Segundo ele, uma das grandes distinções está na estrutura de apoio ao ator, mais robusta no nosso país em comparação ao cenário português, onde ainda há limitações orçamentárias.

No campo afetivo, a estabilidade emocional parece mais difícil de conquistar. Após um relacionamento sólido com a apresentadora Iva Domingues, nunca mais se comprometeu de forma duradoura. Em entrevistas, revelou que carrega traumas antigos, especialmente pela ausência de afeto paterno. “Nunca tive um abraço do meu pai na minha vida”, explicou, acrescentando que só nos últimos dias de vida do pai, conseguiu verbalizar aquilo que sentia.
“Num dos momentos que estive sozinho com ele, e ele já não estava muito ciente das coisas que dizia, eu perguntei-lhe: ‘porquê que tu nunca me disseste que me amavas?’. Percebi a finitude daquele momento. Percebi que ia acabar e é nesses momentos que se deixa os orgulhos de lado e somos mais honestos. Ele não conseguiu responder a isso mas eu disse: ‘amo-te, e tu?’ e ele disse que sim. Deve ter sido a última palavra.”
Nas redes sociais, o bonitão acumula quase um milhão de seguidores, onde compartilha momentos de sua carreira e de sua vida pessoal, incluindo seu amor por viagens. Ele considera que o contato com diferentes culturas é uma “lição de humildade”, algo que procura vivenciar ao realizar documentários e trabalhos voluntários em lugares como Nepal, Tailândia, China e Mauritânia.
No Brasil, inclusive, ministrou aulas para detentos em um projeto de reintegração social durante um intercâmbio.

Superação
Ângelo Rodrigues tem também uma história de superação. No começo deste ano, o ator enfrentou um grave quadro de pneumonia por aspiração, agravado pelo uso de substâncias psicoativas, que o levou a ser internado em coma induzido. Felizmente, após dias críticos, ele se recuperou e voltou à ativa.
“Estou a fazer este vídeo só para não pensarem que desapareci. Estou aqui vivo, de bom astral e, tal como a vida é, com os seus altos e baixos, eu tive um grande percalço, é verdade… Felizmente tudo isso é passado”, afirmou o português após internação, em vídeo no Instagram.
Esse não foi seu primeiro susto: em 2019, o ator passou por uma infecção severa após o uso de testosterona estética, ficou em coma por dois meses e quase perdeu uma perna. Graças a terapias intensivas e algumas cirurgias, conseguiu se recuperar.
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