Durante a exibição original de A Viagem em 1994, Miguel Falabella causou polêmica ao criticar publicamente a novela. Intérprete de Raul, o ator classificou o trabalho como “cansativo” e reclamou da forma como a trama era conduzida nos bastidores.

Em entrevista à Folha de S.Paulo naquele ano, Falabella afirmou que o elenco estava sobrecarregado devido ao ritmo intenso de gravações e à dispersão das cenas em inúmeros cenários:
“É uma novela muito cansativa de fazer. Tem cenários demais. A ação não é concentrada”, reclamou o ator, então com 37 anos.
Ele direcionou parte das críticas a Solange Castro Neves, colaboradora de Ivani Ribeiro no remake:
“É essa moça que está adaptando. Ela coloca a gente em cena muitas vezes, em todos os cenários, não sei pra quê. Isso é uma técnica que o Cassiano Gabus Mendes, que Deus o tenha, dominava perfeitamente. Ele sabia poupar os atores.”
Na época, Solange respondeu às declarações, afirmando que outros colegas tinham carga de trabalho maior e nunca reclamaram. Segundo ela, a insatisfação de Miguel Falabella se devia ao fato de Raul não ser um personagem cômico, gênero no qual o ator se sentia mais à vontade.

Anos depois, em 2020, em entrevista ao RD1, a roteirista voltou a comentar o episódio, sem demonstrar ressentimentos:
“Nunca guardei mágoa do Miguel. Pelo contrário, dei mais destaque ao personagem dele justamente porque fez um ótimo trabalho”, explicou.
Ela também lembrou que o Projac ainda não existia — os estúdios da Globo só seriam inaugurados em 1995. Por isso, as gravações eram feitas em vários pontos do Rio de Janeiro, o que tornava o processo mais desgastante.
Em depoimento ao livro Autores: Histórias da Teledramaturgia (2009), Falabella mudou o tom: “A Viagem era uma novela bem divertida. Tenho boas lembranças”.
O ator também revelou uma curiosidade dos bastidores: o elenco torcia para que seus personagens fossem parar no inferno, já que as cenas do Vale dos Suicidas eram gravadas em Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. Já as sequências que representavam o céu aconteciam em um campo de golfe em Nogueira, distrito de Petrópolis — um trajeto bem mais cansativo.

Na trama, Raul é um dos alvos da vingança de Alexandre (Guilherme Fontes), seu irmão. Após a morte, o espírito passa a influenciar Guiomar (Laura Cardoso) para infernizar a vida do genro e sabotar o casamento dele com Andrezza (Thaís de Campos).
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