No auge de sua carreira, Fernanda Torres vive a glória de ser uma das indicadas ao Globo de Ouro, na categoria de melhor atriz dramática por sua atuação em Ainda Estou Aqui.
Esta é apenas a segunda vez que uma brasileira é nomeada nessa categoria, seguindo os passos de sua mãe, Fernanda Montenegro, que disputou por Central do Brasil, há 25 anos.
O simbolismo desse fato torna a cerimônia deste domingo (5) um evento carregado de emoção para Fernanda, que tem como concorrentes atrizes do calibre de Nicole Kidman, Angelina Jolie e Kate Winslet.
Ela vive a viúva Eunice Paiva no longa dirigido por Walter Salles, uma história ambientada no Brasil dos anos 1970, durante a ditadura militar. A trama, que retrata os desafios de uma família destroçada pela repressão política, emocionou críticos internacionais por seu tom universal.
“Isso toca as pessoas independente de nacionalidade, do credo ou da crença política. É uma tragédia, mas que não te deprime porque é uma família que resistiu, e resistiu sorrindo.”
Fernanda Torres, em entrevista à Folha de S.Paulo

Apesar da grandiosidade do evento, Fernanda Torres afirma não ter grandes expectativas quanto à vitória. “A chance de alguém falando português levar um prêmio desse tamanho é praticamente nula”, comenta em tom descontraído. Mesmo assim, ela celebra a indicação como uma conquista pessoal.
“Só de estar indicada para uma categoria tão incrível, de atriz em drama, eu já estourei meu champanhe”, diz a intérprete, que afirma estar com a sensação de dever cumprido.
Ao lado de Walter Salles, Selton Mello e dos produtores do filme, Fernanda tem participado de uma intensa campanha internacional, que incluiu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza e projeções para críticos e jurados.
Embora esteja vivenciando esse novo passo em sua carreira, ela descarta a possibilidade de se mudar para Los Angeles. “Minha vida sempre foi no Brasil, e o Brasil me deu muito”, pontua.
“Existem diretores extraordinários, mas não sei se tem papel para mim. Não penso muito nisso. Penso muito mais em voltar para o Brasil e para projetos que eu tenho no Brasil.”

Ainda Estou Aqui, que ultrapassou três milhões de espectadores no país, também concorre na categoria de melhor filme de língua não-inglesa, marcando a quarta indicação de Walter Salles ao Globo de Ouro, após Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado (2000) e Diários de Motocicleta (2004). Apenas o primeiro sagrou-se vitorioso.
O cineasta, que também dirigiu Fernanda em Terra Estrangeira (1995), conseguiu ainda reunir mãe e filha no elenco do filme queridinho do momento: Fernanda Montenegro faz uma participação como a versão mais velha de Eunice.
A rotina da candidata ao Globo de Ouro nos últimos dias tem sido digna de um ato de ópera, como ela mesma define. Entre provas de vestidos para o tapete vermelho e entrevistas, ela experimentou mais de 30 modelos antes de bater o martelo sobre o look da noite. A escolha definitiva aconteceu na sexta (3), mas a atriz faz mistério.

A votação do Globo de Ouro é realizada por 334 jurados — são jornalistas especializados em entretenimento de 85 países, incluindo 25 brasileiros, que compõem 7,5% do total. O processo de seleção envolve duas etapas, sendo a decisão final tomada poucos dias antes da cerimônia.
A 82ª edição do Globo de Ouro acontece neste domingo, a partir das 22h, em Los Angeles. No Brasil, a cerimônia será exibida no canal pago TNT e no serviço de streaming Max.
Quais as chances de Fernanda Torres vencer?
A indicação de Fernanda Torres ao Globo de Ouro acendeu expectativas tanto no Brasil quanto em Hollywood. Segundo veículos especializados, a brasileira não é a grande favorita ao prêmio, mas tem chances reais de surpreender.
O site Gold Derby, referência no assunto, vê a brasileira como uma possível zebra na corrida, especialmente por que Ainda Estou Aqui também está indicado. Contudo, posiciona Angelina Jolie (por Maria Callas) e Nicole Kidman (por Babygirl) à frente na disputa.
O agregador de críticas Rotten Tomatoes aposta em Kidman, enquanto o site Awards Watch dá vantagem para Jolie. Lembrando que ambas já ganharam o Globo de Ouro antes — Angelina tem três troféus e Nicole, seis.

Enquanto isso, Ainda Estou Aqui enfrenta desafios ainda maiores na categoria de filme em língua não-inglesa. É muito improvável que o longa alcance a honra de Central do Brasil, que trouxe o troféu em 1999.
A produção brasileira compete com fortes candidatos, como o alemão A Semente do Fruto Sagrado e o indiano Tudo o que Imaginamos como Luz. Mas o favorito é o francês Emilia Pérez, que lidera a premiação com dez indicações, inclusive na categoria de melhor comédia ou musical. O filme tem uma campanha maciça de divulgação financiada pela Netflix, sua distribuidora.
Independente do resultado, Fernanda Torres e Ainda Estou Aqui já conquistaram algo valioso: colocar o cinema brasileiro em evidência em um dos maiores palcos da indústria cinematográfica mundial.
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