Nesta quinta (1), perdemos uma de nossas vozes mais extraordinárias: Nana Caymmi faleceu aos 84 anos. A notícia deixa um vazio à música brasileira, da qual ela foi um dos pilares por mais de cinco décadas.

Dois dias antes, no dia 29 de abril, Nana havia completado 84 anos, mas seu estado de saúde já era frágil. Internada desde agosto de 2024, ela enfrentava complicações decorrentes de uma arritmia cardíaca, que exigiu procedimentos como cateterismo e traqueostomia. Nos últimos dias, os médicos ajustaram sua medicação e realizaram reposição de glicose.
Segundo Danilo Caymmi, seu irmão, uma overdose de opioides agravou seu quadro, embora a causa oficial do falecimento ainda não tenha sido divulgada.
“O Brasil pede uma grande cantora, uma das maiores intérpretes que o Brasil já viu, de sentimento, de tudo. Estamos todos realmente muito tristes, mas ela passou nove meses de sofrimento intenso dentro de hospital”, comunicou o irmão Dori Caymmi.
Nana nasceu em 29 de abril de 1941, no Rio de Janeiro, filha do lendário Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris. Criada em um lar onde a música era a tônica, ela cresceu ao som das composições do pai, já famoso por sucessos como “O que é que a baiana tem?”, imortalizado por Carmen Miranda. Esse ambiente moldou sua trajetória, que resultou em mais de 40 álbuns e uma carreira marcada por interpretações viscerais.
Com um timbre único, Nana deu vida a obras de gigantes como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento e Roberto Carlos, sempre com uma assinatura própria. Seu repertório abraçava gêneros como bossa nova, MPB, boleros e sambas, com destaque para canções como “Resposta ao tempo”, “Beijo partido” e “Se queres saber”. Ela também revisitou o legado do pai, falecido em 2008, em gravações memoráveis.
Sua voz também ecoou em trilhas de novelas e minisséries da Globo, como Hilda Furacão (1998), Suave Veneno (1999), Caminho das Índias (2009) e Gabriela (2012).
Mesmo após cogitar a aposentadoria, Nana retornou aos palcos em momentos especiais, como a celebração do centenário de Dorival Caymmi ao lado dos irmãos. Sua entrega à arte a consagrou como uma das maiores intérpretes da história do Brasil, deixando um legado que continuará a inspirar gerações.




