Em 17 de fevereiro de 2003, ia ao ar o primeiro capítulo de um dos maiores sucessos de Manoel Carlos: a clássica “Mulheres Apaixonadas”.
Em mais uma trama urbana com estilo de crônica, narrando dilemas cotidianos com personagens que não eram totalmente bons nem totalmente maus, a novela tinha mais uma Helena como heroína.
Helena (Christiane Torloni) era diretora de uma escola particular de ensino médio, casada com o saxofonista Téo (Tony Ramos) há quinze anos em um relacionamento monótono e sem grandes emoções. Os dois tinham um filho adotivo, Lucas (Victor Coluga).
No início da trama, o casamento dos dois é abalado quando Helena, entediada, começa a se questionar se é de fato feliz em sua relação e acaba reencontrando uma grande paixão da juventude: o médico César (José Mayer). Sedutor e mulherengo, César acaba de ficar viúvo, e vive um romance com sua assistente Laura (Carolina Kasting), além de manter uma difícil relação com os filhos.
O reencontro entre Helena e César destrói de vez o casamento da protagonista com Téo, principalmente depois que a mulher desconfia estar sendo traída: o músico mantém uma estranha relação com a misteriosa Fernanda (Vanessa Gerbelli). Ex-garota de programa, a moça cria sozinha a pequena Salete (Bruna Marquezine) e esconde um segredo junto a Téo.
Um tiroteio no Leblon, em uma crítica à violência urbana do Rio, fere Fernanda e Téo, e muda os destinos da história.
Muitas mulheres apaixonadas

O grande trunfo da trama, contudo, foram as histórias das paixões que viviam as diversas personagens femininas.
Por exemplo, Raquel (Helena Ranaldi), uma professora de educação física, era espancada pelo marido Marcos (Dan Stulbach), e despertava a paixão platônica do aluno adolescente, Fred (Pedro Furtado).
A rica e exuberante socialite Estela (Lavínia Vlasak), prima de Helena, era perdidamente apaixonada pelo padre Pedro (Nicola Siri). Já a irmã da protagonista, Heloísa (Giulia Gam), sofria com o ciúme possessivo que sentia pelo marido Sérgio (Marcello Antony), em quem chega a dar uma facada em dado momento da história.
A jovem pobre e virgem Edwiges (Carolina Dieckmann) vive um romance com o rico playboy Cláudio (Erik Marmo), repleto de altos e baixos, principalmente devido ao fato da moça, mesmo já tendo mais de 20 anos, se recusar a transar com o namorado antes do casamento.
A odiosa Doris (Regiane Alves), gananciosa, maltrata e furta dinheiro dos próprios avós, Flora e Leopoldo (Carmem Silva e Oswaldo Louzada). Suas maldades a levam a tomar uma surra de cinto do pai, Carlão (Marcos Caruso), em uma cena emblemática.
A professora Santana (Vera Holtz) bebe descontroladamente e chega a ser afastada do trabalho em razão de seu alcoolismo. Já as alunas adolescentes Rafaela e Clara (Paula Picarelli e Alinne Moraes) vivem um romance lésbico, que enfrenta os preconceitos da mãe da segunda, e também da amargurada Paulinha (Ana Roberta Gualda).
O casamento da mimada e insegura Marina (Paloma Duarte) e do galã Diogo (Rodrigo Santoro), imposição das duas famílias, se deteriora depois que a moça perde o filho que esperava do marido. Além do mais, ela sofre por saber que Diogo é apaixonado pela própria prima, a médica residente Luciana (Camila Pitanga), filha do primeiro casamento de Téo, e que se envolve com César, antagonizando com Helena. A mãe de Diogo, por sua vez, é a independente Lorena (Susana Vieira), irmã de Téo e dona da escola dirigida por ela e Helena. Divorciada, ela não tem medo de assumir um romance com um homem bem mais jovem, Expedito (Rafael Calomeni).
A trama tem uma elogiada trilha sonora e foi muito bem avaliada por suas críticas sociais pertinentes, como a violência contra a mulher, o alcoolismo, a homofobia, os maus tratos contra idosos, o celibato, dentre outros.
A trama foi reexibida em 2008 pelo “Vale a Pena Ver de Novo” e está cotada para substituir “O Clone” no Canal Viva, à partir de agosto.






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