OPINIÕES
Gabriel
9A última boa novela do Aguinaldo. Me cativou bastante e curti toda a jornada pelos 221 capítulos.
Lorena
9Viva a novela que teve uma das melhores vilãs de todos os tempos: Nazaré Tedesco.
Fernando
10
Sem dúvida foi uma das novelas que eu mais curti. Assisti quando passou pela primeira vez e vi as duas reprises também. Cheguei a matar aula de um curso técnico que eu fazia pra ver as últimas semanas.
A única falha da novela foi em relação a ordem cronológica. Lembro que pelos acontecimentos da primeira fase, quando saltou para a segunda não fazia nenhuma lógica os personagens terem a idade que tinham.
Lucimara
4Não chegava a me prender na TV, mas rendeu uma boa história. Destaque total para Renata Sorrah como Nazaré Tedesco. Uma das vilãs mais loucas da TV.
Ray
–A novela é boa, com uma trama bem interessante. A Nazaré Tedesco é um ícone, a mais lembrada vilã da história, cheia de memes.
Adriana
7Nazaré Tedesco marcou para sempre.
A TRAMA

Maria do Carmo Ferreira da Silva carrega nos ombros a secura do sertão pernambucano e o peso de criar cinco filhos sozinha. Quando o marido a abandona e a fome espreita, ela aposta tudo numa mudança para o Rio de Janeiro. Desembarca na capital justamente no dia em que o país mergulha na repressão mais dura da ditadura militar: a decretação do AI-5. Entre bombas de gás e gritos de protesto, a família se dispersa no centro da cidade, e uma pedra acaba ferindo o filho mais velho, Reginaldo.
Em pânico, Maria do Carmo refugia-se com as crianças numa casa vazia. Ali, cruza o caminho de Nazaré, uma mulher de passado sombrio e intenções dissimuladas, que se apresenta como Lourdes, uma suposta enfermeira grávida. Aproveitando-se do desespero da mocinha, a estranha se oferece para cuidar dos meninos enquanto a mãe leva o primogênito ao hospital. Ao retornar, Maria do Carmo começa a viver o maior pesadelo de sua vida: Nazaré desapareceu levando Lindalva, sua filha recém-nascida.
Por trás do rapto esconde-se um plano perverso. Nazaré, prostituta do bordel de Madame Berthe, quer prender o amante José Carlos com um filho que não pode gerar. Finge a gestação e rebatiza Lindalva como Isabel. Naquela mesma noite, Maria do Carmo é confundida com manifestantes e presa. Na cela, conhece o jornalista Dirceu de Castro, que arrisca o próprio prestígio para libertá-la.
Já livre, a protagonista reencontra o irmão Sebastião, resgata os outros filhos do Juizado de Menores e se instala com a família em Vila São Miguel, na Baixada Fluminense. Lá, jura jamais desistir de encontrar Lindalva.
Décadas avançam. Maria do Carmo vira referência: dona de uma empresa de material de construção, empregadora justa, voz ativa na comunidade. Mas a felicidade permanece rachada — como tijolo partido — enquanto Lindalva não volta para casa. O coração dela oscila entre o afeto discreto de Dirceu e a sedução extravagante de Giovanni Improtta, um ex-bicheiro.

Os filhos cresceram: Reginaldo, ambicioso e manipulador; Leandro, idealista e generoso; Viriato, galante e descontraído; e Plínio, o caçula meio irresponsável. Enquanto isso, Isabel vive do outro lado da cidade, afável e sonhadora, sem saber da farsa que sustenta a própria identidade.
Nazaré, agora amarga e controladora, vê o castelo de mentiras tremer quando um fotógrafo entrega a Dirceu uma imagem do dia do sequestro. O caso vai parar em um programa de TV, e José Carlos reconhece a mulher, descobrindo assim a atrocidade que ela cometeu.
Os dois começam a discutir, e Nazaré, antes de ser denunciada, empurra o marido escada abaixo num lance fatal. Isabel, abalada pela perda do pai que acreditava ser verdadeiro, começa a trabalhar num restaurante de luxo, onde se apaixona por Edgard — sem saber que ele é neto de Madame Berthe.
Mesmo com o passado repuxando o presente, Nazaré trata de tirar vantagem de seu próprio crime, arrancando dinheiro de Maria do Carmo com a falsa promessa de revelar o paradeiro de Lindalva. A vilã também se alia a Josivaldo, o pai biológico desaparecido dos filhos da empresária, que ressurge interessado se dar bem às custas da ex-mulher.
ELENCO
ABERTURA
CHAMADA
TRILHA SONORA
CURIOSIDADES
Enorme sucesso
Senhora do Destino se tornou um marco televisivo. Fechou sua exibição original com média de 50,3 pontos de audiência, a melhor marca desde O Rei do Gado (1996). Desde então, nenhuma novela rompeu essa barreira.
A crítica acompanhou o entusiasmo popular. A novela venceu o Troféu Imprensa de melhor novela de 2004. José Wilker e Renata Sorrah também brilharam, levando os prêmios de melhor ator e melhor atriz. Renata, por sua vez, foi consagrada ainda pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Malvada e adorada
Renata Sorrah eternizou uma das vilãs mais emblemáticas da televisão brasileira: Nazaré Tedesco. A escada de sua casa e sua inseparável tesoura tornaram-se marcas da personagem, assim como suas expressões ácidas e vaidosas. Seu humor involuntário conquistou o público, que se deleitava quando ela chamava Maria do Carmo de “anta nordestina”, Cláudia de “songa monga” e Josivaldo de “flageladão”. Diante do espelho, entregava monólogos vaidosos como chamar a si mesma de “raposa felpuda”. Virou um meme atemporal.
Caso real
A trama do rapto de Lindalva tocou em feridas reais do Brasil. O público imediatamente associou a história ao caso Pedrinho, menino levado de uma maternidade em 1986 e criado como filho da sequestradora.
Temáticas
Muito além do melodrama, a novela abordou questões sociais relevantes com profundidade e sensibilidade. Através da família de Rita (Adriana Lessa), Aguinaldo Silva tratou de violência doméstica e gravidez precoce. Também abordou produção independente (Yara, interpretada por Helena Ranaldi), o Mal de Alzheimer (vivido com delicadeza por Glória Menezes) e o desamparo de aposentados, por meio do personagem Seu Jacques (Flávio Migliaccio).
Além da ficção
Há muito de Aguinaldo Silva em Senhora do Destino. Nordestino de Carpina (PE), o autor reviveu sua própria migração ao Sudeste. O nome da protagonista, Maria do Carmo Ferreira da Silva, e do irmão Sebastião, são homenagens diretas à mãe e ao tio. E há mais: o autor foi preso por 70 dias na Ilha das Flores em 1969, por causa de seu envolvimento político — o que ressoa no contexto histórico da novela, que começa com o AI-5 e fala do silêncio e da resistência.

Despedidas
Raul Cortez afastou-se nos meses finais devido a um tratamento de câncer. A ausência foi contornada pelo autor com uma viagem de seu personagem. No final da trama, o ator retornou brevemente para uma cena de despedida simbólica. Foi sua última novela — ele faleceu em 2006.
Já Miriam Pires nos deixou durante as gravações. A personagem, entretanto, seguiu viva no imaginário da história: sua filha Aurélia, interpretada por Cristina Mullins, entrou na história para dar sequência ao legado da mãe. Na vida real, o projeto do livro de receitas de Clementina se concretizou: a Editora Globo lançou A Cozinha de D. Clementina, unindo dramaturgia e gastronomia popular.
FICHA TÉCNICA
Ficha Técnica
- Estreia: 28 de junho de 2004
- Final: 11 de março de 2005
- Autor: Aguinaldo Silva
- Colaboradores: Filipe Miguez, Gloria Barreto, Maria Elisa Berredo e Nelson Nadotti
- Pesquisa: Leila Melo
- Produção de arte: Luiz Pereira e Teca Sá Martins
- Produção de elenco: Elaine Macedo e Daniela Ciminelli
- Caracterização: Lindalva Veronez
- Cenografia: May Martins, Cristina De Lamare, Érika Lovise, Keller Veiga e Monica Aurenção
- Figurino: Beth Filipecki e Regina de Paula
- Direção musical: Mariozinho Rocha
- Sonoplastia: Thanus Chalita e Haroldo de Sá
- Direção de fotografia: José Tadeu
- Edição: Paulo H. Farias, Roberto Mariano e William Alves
- Gerência de produção: Roberto Câmara
- Direção de produção: Alexandre Ishikawa
- Direção: Luciano Sabino, Marco Rodrigo, Cláudio Boeckel e Ary Coslov
- Direção geral e núcleo: Wolf Maya




