OPINIÕES
Marcelo
6Achei que seria mais interessante pelo tema proposto, mas foi meio sem graça. Os tais congelados se adaptaram muito rápido aos tempos modernos, esperava muito mais humor nessa etapa.
Lid
–Tentei assistir, mas não rolou.
David
6Aconteceu com O Tempo Não Para o mesmo que aconteceu com Naruto: o autor criou personagens muito interessantes em um conceito de história muito interessante também, mas chegou o momento em que ele resolveu desenvolver só os protagonistas.
Jordison
–
Seria injusto classificá-la como um fracasso, mas é inegável sua total perda de rumo. O início da corajosa história de Mário Teixeira mereceu cada elogio e era para ter sido uma novela memorável.
Ainda assim, os pontos positivos merecem um lugar especial na memória de quem assistiu, tanto pelo elenco quanto pelo contexto em torno da querida família Sabino Machado. É de se lamentar, todavia, que um conjunto tão promissor tenha chegado ao fim de uma forma tão desleixada. Os atores e os telespectadores não mereciam.
A TRAMA

Em 1886, os Sabino Machado representavam o poder e o prestígio do Brasil Império: uma família rica, tradicional e cheia de certezas sobre seu lugar no mundo. Mas tudo muda quando, durante uma viagem à Europa a bordo do imponente navio Albatroz, eles desviam a rota para uma parada na Patagônia — e colidem com o destino, na forma de um iceberg.
Treze pessoas, entre nobres, criados e agregados, são engolidas pelo gelo e esquecidas pela história. Por 132 anos, ficaram suspensas no tempo, seladas em silêncio dentro de um bloco congelado, enquanto o mundo que conheciam virava passado. A abolição da escravatura, as guerras mundiais, os direitos civis, o voo, a cura, a internet — cada revolução, cada conquista da humanidade os atravessou sem tocá-los.
Até que o impossível acontece. Em 2018, o bloco de gelo emerge misteriosamente na costa do Guarujá. É Samuca, um jovem empresário visionário e ativista social, quem primeiro vê o inusitado monumento flutuante. Entre as formas congeladas, algo o atrai: o rosto de uma mulher. Bela, enigmática, anacrônica. É Marocas.
O degelo é apenas o começo. Despertos no coração de uma São Paulo acelerada, tecnológica e cheia de paradoxos, os Sabino Machado e seus companheiros de jornada precisam encarar um mundo que seguiu sem eles. Suas referências ruíram. Seus valores são desafiados. Suas verdades, postas à prova.
No centro desse choque de tempos e mundos está a inesperada conexão entre Marocas, uma jovem do século XIX moldada por normas rígidas e expectativas familiares, e Samuca, um homem do século XXI. Entre eles, há 132 anos de distância — e uma paixão capaz de dobrar o tempo.
Ao redor do casal, personagens que carregam heranças e feridas do passado tentam se reencaixar em uma sociedade que já não fala a sua língua. Embates sociais, conflitos éticos e emocionais, ajustes de identidade e pertencimento — tudo pulsa nessa trama em que passado e presente colidem e ninguém sai ileso.
ELENCO
ABERTURA
CHAMADA
TRILHA SONORA
CURIOSIDADES

Audiência
O Tempo Não Para começou com o pé direito. Seu primeiro capítulo cravou 32 pontos de audiência na Grande São Paulo, com 46% de participação. Era a melhor estreia das 19h desde Cheias de Charme (2012), que havia registrado 35 pontos. No entanto, o fôlego inicial não se sustentou.
A partir do terceiro mês, a trama passou a oscilar entre 21 e 23 pontos, encerrando sua trajetória com média geral de 24 pontos — a mais baixa do horário em cinco anos, desde I Love Paraisópolis, curiosamente assinada pelo mesmo autor, Mário Teixeira.
Críticas da imprensa especializada e de parte do público apontaram que o arco principal — o impacto dos “congelados” no século XXI — perdeu força cedo demais. A rápida adaptação dos personagens à nova realidade e a escassez de conflitos relevantes foram vistos como desperdício de uma premissa promissora.
Além disso, o texto focou apenas na trama central e deixou personagens secundários à margem, como “figurantes de luxo”.
Escalação
O papel de Samuca quase foi vivido por Klebber Toledo, que precisou deixar o projeto por conflitos de agenda com a série Ilha de Ferro. Nicolas Prattes, inicialmente escalado para a novela substituta, Verão 90, assumiu o protagonismo. O mesmo aconteceu com Christiane Torloni.
Já a personagem Zelda foi primeiramente oferecida a Monica Iozzi, que preferiu integrar o elenco de A Dona do Pedaço. Em seu lugar, Adriane Galisteu foi escalada, marcando seu retorno às novelas após 20 anos longe do gênero — e sua estreia no formato na Globo.
Gravação
As sequências do naufrágio do Albatroz exigiram uma logística cinematográfica. O navio foi criado digitalmente em 3D, mas várias áreas internas foram construídas em cenários reais, como o convés, a sala de máquinas e as cabines. A casa de máquinas, com 24 m², foi erguida dentro de um tanque com capacidade para 90 mil litros de água — inundado em apenas 20 segundos durante as filmagens.
A criação do bloco de gelo que envolvia os congelados foi um desafio técnico. A equipe de efeitos visuais, com cerca de 30 profissionais, trabalhou na concepção de um iceberg com 30 metros de comprimento, 17 metros de largura e 16 metros de altura.
O bloco foi reproduzido com detalhes minuciosos: textura, translucidez, rachaduras e até pequenos cascalhos desprendidos no processo de degelo. As cenas foram captadas em alto-mar com o auxílio de um chromakey sustentado por uma balsa da mesma dimensão.

Despedida
A atriz Eva Wilma fez uma participação especial como a cientista Dra. Petra Vaisánen, responsável pelas pesquisas com os descongelados. Sua personagem, envolta em mistério, acabou sequestrada e fugiu do país, retornando apenas nos momentos finais da trama. Esta participação marcou o último trabalho da consagrada atriz na televisão antes de sua morte em maio de 2021.
FICHA TÉCNICA
Ficha Técnica
- Estreia: 31 de julho de 2018
- Final: 28 de janeiro de 2019
- Autor: Mario Teixeira
- Colaboradores: Bíbi Da Pieve, Marcos Lazarini e Tarcísio Lara Puiati
- Pesquisa: Yara Eleodora, Julia Schnoor e Madalena Prado
- Produção de arte: Angela Melman
- Produção de elenco: Juliana Silveira
- Caracterização: Juliana Mendes
- Cenografia: Keller Veiga, Alexis Pabliano e Gilson Santos
- Figurino: Paula Carneiro
- Sonoplastia: Breno Poubel, Jerome Ferraz, Eduardo Keller e Marco Salles
- Direção de fotografia: André Horta
- Edição: Ghynn Paul, Anibal Veiga, Beatriz Correia, Pedro França e João Marins
- Direção: Mauricio Guimarães, Felipe Louzada e João Boltshauser
- Direção geral: Marcelo Travesso e Adriano Melo
- Núcleo: Leonardo Nogueira




