Grazi Massafera está prestes a viver um dos papéis mais desafiadores de sua trajetória: a primeira vilã de sua carreira, Arminda, em Três Graças, próxima novela das nove da Globo. Às vésperas da estreia, a atriz abriu o coração sobre as dificuldades que enfrentou ao migrar do Big Brother Brasil 5 para a dramaturgia — ela debutou em Páginas da Vida (2006).

Em entrevista ao jornal O Globo, Grazi relembrou que, no início, sofreu preconceito de colegas experientes: “[Foi] difícil. O elenco se reuniu um dia e tirou sarro de mim, pedindo para eu procurar ‘galharufas’. Não sabia, mas era um trote. No teatro, galharufa é um objeto simbólico dado como amuleto a iniciantes. Fiquei mal”.
Ela contou que se sentia deslocada nos estúdios: “Era uma estranha no ninho, e eles passavam do ponto. Só pensava: o espaço existe, vou me dedicar. E como tudo na vida — se eu for limpar um chão, eu me dedico –, não seria diferente. Não pensava em ser aceita, mas em realizar”.

Grazi foi direta ao apontar os artistas que tiveram preconceito contra ela: “Otávio Augusto. Em Tempos Modernos [2010], ele não quis contracenar comigo. Fez a cena olhando para a parede e foi embora. E eu fiz sem ele. Isso aconteceu outras vezes”.
As cenas precisaram ser montadas na edição. Anos mais tarde, porém, o ator se desculpou: “Depois, trabalhamos juntos novamente [em A Lei do Amor, de 2016]. Ele pegou minha mão e disse: ‘É uma honra trabalhar com você. Desculpa o que aconteceu'”.
Outros episódios também marcaram sua memória. “Ganhei um prêmio de atriz revelação, e o José Wilker era o homenageado. Ele disse: ‘Não desço na mesma escada que essa BBB’, com aquela voz que eu achava incrível”, relatou.
Sobre Miguel Falabella, ela lembrou: “Quando fui escolhida para Negócio da China [2008], ele me praguejou. Depois, foi um amor e veio falar comigo”.

A virada em sua trajetória aconteceu em Verdades Secretas (2015), quando interpretou Larissa e foi indicada ao Emmy Internacional:
“Pela primeira vez, era respeitada quando entrava em cena. Com a Larissa, vi que o sentimento que empresto a um personagem pode servir de reflexão. Eu me apaixonei pela profissão. Comecei a trabalhar por amor, não por dinheiro ou vaidade.”
Mesmo assim, Grazi não esconde que alguns trabalhos foram traumáticos. Sobre Tempos Modernos, declarou: “Um fracasso. O autor, Bosco Brasil, desistiu e pirou. Comecei como segurança de um prédio, virei um robô. Na realidade, foi uma tortura trabalhar como atriz até Verdades Secretas. Antes disso, eu pensava em desistir em todas as novelas que fiz”.

Agora, prestes a encarnar Arminda, sua primeira vilã, Grazi admite ansiedade: “É difícil fazer gente ruim, inverter valores. Surto pra caramba. É minha primeira vilã, natural que eu esteja ansiosa, nervosa. Estou perdendo noites de sono. Fico pensando em como fazer”.
E mais
Grazi Massafera também revisitou memórias da juventude em Curitiba, onde cresceu em uma família humilde: “Com a separação dos meus pais, as coisas apertaram. Comecei a pintar unha e pedi para minha mãe me deixar desfilar. Depois de um tempo, amigas travestis me emprestavam roupa para eu usar em concursos. Aos 18 anos, elas eram minha referência de beleza e me convenceram a participar do Miss Paraná (2004). Venci. Amigas da escola insistiram para eu me inscrever no BBB. Quando a Globo me ligou, achei que era trote”.

A participação no reality foi incentivada pela mãe: “Não queria ir. Minha mãe estava lavando roupa, e eu dizia: ‘Não vou pro BBB’. E ela gritava: ‘Você vai! Você tem que mudar de vida!’”.
“Meus pais eram boias-frias. Trabalhavam cortando cana e colhendo café. Quando nasci, minha mãe começou a costurar. Meu pai virou pedreiro. Era uma família humilde, mas nunca passei fome.”
Grazi falou ainda sobre a vida amorosa: “Não tenho nenhuma relação agora. Tive momentos de uma mulher serelepe. Meu último namoro faz tempo… 2022. Depois, só peguetes. Tô trabalhando tanto”.

Ao ser questionada se tem uma relação de amizade com o ex-marido, Cauã Reymond, ela fez uma pausa e respondeu que a relação é de respeito. O casal se separou em 2013, após rumores de traição do ator, mas manteve a prioridade no bem-estar da filha, que hoje tem 13 anos. “Em tudo ligado a Sofia, eu e Cauã somos parceiros”, pontuou.





